Metáfora das Flores - Ensemble de Música Barroca
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Basílica de São Pedro Largo do Toural, 4810-427 Guimarães |
- Concertos

Metáfora das Flores - Ensemble de Música Barroca
Festival Internacional de Música Religiosa de Guimarães
[VI EDIÇÃO]
21:30
Sob o mote “Requiem para Santa Clara”, o Ensemble de Música Barroca Metáfora das Flores proporciona um programa de grande interesse musical e histórico. Inicia com o Hino utilizado aquando da canonização da Rainha Santa Isabel a 24 de junho de 1625, com música do compositor italiano Domenico Mazzocchi (1592-1655) e letra do Papa Urbano VIII. A Rainha Santa Isabel encontra-se sepultada no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra.
A ligação ao Convento de Santa Clara, no Porto, é depois explorada por via da atividade do religioso e compositor Frei Francisco de São Boaventura (fl. 1739 - 1802), que para ali compôs várias obras, tendo também a seu cargo a formação musical de algumas noviças, como revelam as suas lições e outras obras de carácter didático, Lição ultima de Sabbado Sancto (1794) ou Lamentação “Jod. Manum suam misit hortis” (1795). O seu estilo composicional é profundamente marcado pela influência da ópera italiana, em linha com muitos dos compositores seus coevos. No Requiem, datado de 1791, ouvimos a predominância das linhas vocais expressivas, marcadas pelo virtuosismo, efeitos dramáticos que acompanham o texto, e pela textura instrumental que remete para o gosto italiano.
PROGRAMA
“Requiem para Santa Clara” - Frei Francisco de São Boaventura
Nota Biográfica
Magna Ferreira, Direção Artística
Magna Ferreira é docente no Curso de Música Antiga da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (Instituto Politécnico do Porto) e no Conservatório de Música do Porto. Licenciada em Canto pela ESMAE, na classe da Prof.ª Fernanda Correia. Mestre em Estudos da Criança, pela Universidade do Minho, com a tese “Contributos para um Cânone da Ópera Infantil Portuguesa”, sob orientação da Prof.ª Doutora Elisa Lessa. Mestre em Advanced Vocal Ensemble Studies pela Schola Cantorum Basiliensis, na classe do Professor Anthony Rooley, com a tese “Missa al rigor a 7: Santa Cruz Monastery of Coimbra (Seventeenth Century)”. Foi membro do extinto Estúdio de Ópera da Casa da Música onde trabalhou com Peter Harrison, entre outros. Como solista tem-se apresentado em diversos festivais em Portugal, Espanha, França, Suíça, Polónia, México e Brasil. Destaca-se a sua participação na estreia moderna de “Joaz” (no papel de Athalia), de Benedetto Marcello (Festival Obra Aberta, Casa da Música, 2003), e em “As Três Barcas”, de Gil Vicente/Fernando Lapa (Festival Dias da Música, CCB, 2018 / Toy Ensemble).
Enquanto maestrina integrou a equipa artística da Área da Comunidade em Guimarães Capital da Cultura, foi directora do projecto “Vozes do Românico” (Rota do Românico), com a Orquestra Barroca da ESMAE dirigiu as óperas “Acis and Galatea” de Haendel, “Dido and Aeneas” de Purcell e “Il combatimento di Tancredi e Clorinda” e “Ballo delle Ingrate” de Monteverdi. Dirigiu diversos grupos corais e orquestrais e gravou a estreia de obras de compositores portugueses.
Enquanto cantora apresentou-se a solo em Portugal, Espanha, França, Suiça, Polónia, México e Brasil com grupos e maestros de reconhecido mérito, e em diversas salas e festivais de referência. Sobre repertório conventual feminino português dos séculos XVIII e XIX, realizou concertos com o grupo feminino Udite Amanti, entre 2003-2010. Dirigiu e interpretou o primeiro recital “Metáfora das Flores” (2019), num programa dedicado à música e literatura nos Conventos de Santa Clara (Portugal e Espanha), constituindo, assim, o arranque do ensemble barroco Metáfora das Flores, título inspirado na obra literária de Soror Maria do Céu (1658-1723).
Colaborou com o Serviço Educativo da Casa da Música, com destaque para a preparação da obra Da primeira liberdade (concerto pré-inaugural do Grande Auditório da Casa da Música, 2005), de Fernando Lapa. Colaborou ainda como formadora com o Teatro Nacional de S. João, Centre Culturel de Rencontre Ambronay, Universidade do Minho, Universidade Lusófona, entre outros.
Gravou para a Antena 2, RTP, Challenge Classics, Au Fil de l’air, entre outros. Enquanto compositora escreveu obras para os grupos Teatro Bruto, Outra Voz e em 2019 estreou a obra “Tempus Fugit” no Festival Vivarium. Lecionou masterclasses de Canto (Música Antiga) e música vocal de conjunto no Brasil, Espanha e França.
Notas ao programa
O presente concerto abre com a obra do compositor italiano Domenico Mazzocchi (1592-1655), que esteve ao serviço do cardeal Ippolito Aldobrandini a partir de 1621, tendo também composto música para o papa Urbano VIII (Maffeo Barberini). Foi este papa que canonizou a Rainha Santa Isabel a 24 de junho de 1625, tendo escrito a letra do Hino utilizado nessa ocasião, com música de Mazzocchi. A Rainha Santa pertenceu à Ordem das Clarissas, tendo entrado no Mosteiro de Santa a Clara-a-Velha, em Coimbra, de onde sairia apenas em 1336, tendo falecido nesse ano em Estremoz, estando sepultada no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, também em Coimbra.
A ligação a Santa Clara percorre o restante programa, com obras da autoria do religioso e compositor Frei Francisco de São Boaventura (fl. 1739 - 1802), pertencente à ordem Carmelita Calçado. Esteve ativo no Porto na segunda metade do século XVIII, e escreveu várias obras para o Convento de Santa Clara e para o Mosteiro de S. Bento de Ave-Maria, naquela cidade. A sua biografia, com vários dados incertos ou por confirmar, tem sido construída por vários investigadores, destacando-se neste sentido os trabalhos de Elisa Lessa, Rodrigo Teodoro de Paula e Magna Ferreira.
A sua produção musical inclui várias Lições, Responsórios, Ladaínhas, Hinos, Antífonas, Lamentações, Missas, Versos, Árias, Duetos, a Sonata: para duas guitarras e dous violinos (1789), Seis Sonate com Varios Minuetos (1775-1800) (apesar do título, inclui apenas 5 sonatas), várias Tocatas e obras para órgão, entre outras. O catálogo da Biblioteca Nacional inclui 167 composições da sua autoria que refletem as convenções musicais da época. Neste sentido, para além do domínio de técnicas de escrita polifónica e para vários coros, como o caso do seu Miserere a 3 coros com VV.ºs violoncelo e dous órgãos (1773), o compositor denota, a par da maioria dos seus coevos, a influência da ópera italiana no contexto da música religiosa, refletido no modo como dá relevo à voz e à sua expressividade.
No âmbito das suas atividades no Convento de Santa Clara, Frei Francisco de São Boaventura terá um papel de relevo na educação musical de algumas jovens, em particular da noviça D. Maria Peregrina, com onze anos, para quem compõe Lição ultima de Sabbado Sancto (1794) e Lamentação “Jod. Manum suam misit hortis” (1795), com caráter claramente didático. Em ambas as obras, tal como em Lamentação a solo, Frei Francisco de São Boaventura fornece um testemunho do gosto musical da época, na qual a italianização musical se expressa através de uma vocalidade mais virtuosa e expressiva, recorrendo a efeitos dramáticos em voga. O seu Requiem, composto em 1791, não é, por isso, alheio a uma visão dramática fundada no gosto operático italiano, em particular no modo como concebe a relação entre a parte vocal e a instrumental, de acordo com o conteúdo temático das secções da missa dos defuntos. De acordo com Magna Ferreira, diretora musical do ensemble de música barroca Metáfora das Flores, o Requiem resultou de uma encomenda de D. Maria Manoel do Coração de Jesus, Mestre Capella do Mosteiro de Santa Clara (Porto).
- Organização
Município de GuimarãesDireção artística | Orquestra de Guimarães
Direção de Produção | Sociedade MusicalParceiros
Insigne e Real Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira
Irmandade de Nossa Senhora da Penha
Irmandade do Príncipe dos Apóstolos São Pedro
Real Irmandade de Nossa Senhora da Consolação e Santos Passos
Santa Casa da Misericórdia de Guimarães
Sociedade Martins Sarmento
Venerável Ordem Terceira de São Domingos
Venerável Ordem Terceira de São Francisco -
Ficha artística
www.ensembledjoaov.com
Bianca Alves – soprano II
Ana Santos – mezzo soprano
Miguel Barreira – barítono
Mariña García-Bouso – violino I
Andoni Conde – violino II
Elsa Pidre Carballa – violoncelo
Flávia Almeida Castro – órgão
Magna Ferreira – soprano e direção
Classificação etária | M/6
Duração aproximada | 55 min
Evento realizado de acordo com Resolução do Conselho de Ministros e normas da Direção Geral de Saúde em vigorDireitos reservados
Texto e imagem
Largo do Toural,
4810-427 Guimarães